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Moda & Style

por Joana Freitas

Moda & Style

por Joana Freitas

What is my secret? Glamour Secrets Black from O Boticário

A vida não é fácil para ninguém, e quem o disser, está a dar falsas esperanças a todos aqueles que pensam e sonham com facilidades. Mas para tornar tudo mais agradável, existem pequenos truques que, se seguirmos à risca, ajudam (e muito!) a enfrentar os desafios do quotidiano. Um deles é valorizarmo-nos.

 

Quantas e quantas vezes muitas mulheres, especialmente as mães, dão por si com a manicure por fazer, cabelo por arranjar, com olheiras até ao umbigo e com a pele seca e sem brilho? Alguns homens dizem que gostam de ver o lado mais desmazelado de uma mulher, e até pode ser verdade, mas uma mulher nunca se deve sentir desvalorizada, muito menos desvalorizar-se a si mesma. Não se trata só de vaidade, trata-se de amor-próprio, de consideração pelo seu ser. 

Na minha sincera opinião, além de uma maquilhagem adequada, de um tom de cabelo em concordância com o tom de pele, de um corte de cabelo de acordo com a fisionomia do rosto, de uma manicure irrepreensível e de uma rotina de pele cuidada e personalizada, creio que o impulsionador para um carácter marcante concentra-se, muitas vezes, num frasco de perfume. É verdade meus senhores e minhas senhoras, eu acredito piedosamente nisso. E porquê? Eu explico.

 

Apesar da imagem cuidada de uma pessoa saltar à vista, muitas vezes a personalidade mostra-se não só nos atos mas também na fragrância escolhida. Existem atualmente muitos estudos que comprovam isso mesmo, de acordo com a família olfativa que cada um escolhe. Aliás, César António Veiga, coordenador do Núcleo de Avaliação de Fragrâncias d'O Boticário, assegura que o perfume serve como um meio de comunicação invisível e silencioso entre os indivíduos. “Quando escolhemos uma fragrância, buscamos um meio para transmitir nossa personalidade, sentimentos e intenções. As fragrâncias são assim, formas que utilizamos para ser percebidos e notados por meio de sensações que causam.”

 

O perfume do momento, que eu creio que me define, é, sem dúvida, o Glamour Secrets Black d'O Boticário. Além da sua embalagem bastante sedutora e envolvente, que mostra o lado mais ousado do meu "eu", a sua fragrância envolve todos os que me rodeiam, graças ao lírio-do-vale, que dá um toque de mistério e sedução; à peônia, que traz sofisticação e elegância; e ao âmbar, que dá sensualidade ao perfume. Todos estes e mais elementos, quando juntos, resultam numa explosão de ousadia e de sensualidade, tudo o que uma mulher precisa para se valorizar. Mas este perfume traz uma história bem mais interessante e pessoal.

Ao contrário do que seria de esperar, este é um amor muito antigo. Sim, eu cheirei este perfume pela primeira vez em 2011, se não estou em erro, na altura tinha eu 14 anos, a caminho dos 15 (façam as contas :) ). Era novembro, estávamos prestes a entrar no mês das festividades, o Natal aproximava-se e eu ainda não tinha o presente ideal para a minha mãe. Andava eu, com uma camisa ao xadrez vermelha, uns jeans, botas de atacadores e com os meus óculos retangulares que usava na altura, a vaguear pelo shopping. Eis que decido entrar na antiga loja d'O Boticário no Norteshopping, que se encontrava, na época, no piso 1. Apesar de pequenininha, era bem acolhedora. Estava com as minhas amigas do básico a coscuvilhar a loja, quando me deparo com este perfume. Achei que era o mais indicado para a minha mãe, aliás, que era a cara dela, que era "o" perfume. Olhei para o preço e reparei que ainda não reunia o montante necessário, pelo que deixei ficar o frasco na prateleira. 

 

Vim para casa a pensar no que podia fazer para comprar aquele perfume, mas, entretanto, só para prevenir, mostrei o cartãozinho de prova à minha mãe, para ver se gostava. Ela adorara a fragrância, e eu, no meu íntimo, soltava um grandessíssimo "urray", pois tinha acertado em cheio. Mas o problema era o dinheiro... Ainda tinha a mesada no mês que estava a findar, mas pedir o "salário" adiantado à "patroa" não era prudente, dava muita cana. Como não trabalhava na altura, nem tinha maneira de desencantar dinheiro (se ao menos tivesse uma árvore das Patacas...), o meu remédio não era outro se não esperar pelo dia do "pagamento". Pareceu-me, na altura, a opção mais acertada. E eis que assim aconteceu: esperei para receber a minha nova "tranche" de dinheiro e, toda feliz e contente, lá desenrasquei uma desculpa para ir zarpar o perfume para lho oferecer. Era o melhor presente que lhe podia dar, não estivesse ela a passar por um maldito cancro.

 

Eis que fui à loja mais feliz do que uma criança que acaba de receber um doce. Entrei lá dentro, soltei um alegre "boa tarde", como é habitual, e dirigi-me ao sítio onde estava o perfume. Pois bem, estava vazio e não havia nem a caixa para a amostra. Sem acreditar no que me estava a acontecer, perguntei à menina na altura o que se passava com o perfume, ao que ela me diz que, infelizmente, tinha esgotado há duas semanas atrás e que não sabia se ia voltar. Não imaginam como fiquei, foi o maior balde de água da minha vida. Acabei por comprar um batom que a minha senhora ia gostar, mas não era a mesma coisa, sabem? Fiquei tão mas tão triste...

 

Há dois anos, em 2013, eis que, numa visita à página da marca, vejo que um novo perfume chegou à zona. Curiosa como sou, numa nas minhas saídas com a mãe, fui a uma outra loja d'O Boticário, que ficava a caminho. Pedi para cheirar a novidade e, para meu espanto, a fragrância e o frasco eram exatamente iguais ao que tinha visto em 2011. Parecia que estava a ter um deja vu. Nisto, e ao aperceber-me de que era "ele", dou um grande salto de alegria e, com os olhos a brilhar, disse para a minha mãe: "Querida [é assim que eu a trato], este era o perfume que eu mais te queria dar naquela altura em que estavas débil, em que tinha medo de te perder. Lembras-te daquele papelzinho que te mostrei na altura e que o guardaste? Era este, era este!". Escusado será dizer que um exemplar veio parar a casa, não é verdade? Depois desse, tenho este (da imagem), que a marca ofereceu às bloggers no Natal desse ano, a acabar, e ainda tenho ali um novo para abrir. Mas vocês devem estar a pensar, nas vossas cabeças, que eu estive a inventar tudo isto, mas não é verdade. Lembro-me de tudo isto como se fosse hoje porque, tal como em tudo na vida, existem coisas que nos marcam, que mexem connosco. E este perfume não é um qualquer, é "o" perfume, não só pelo sentimentalismo que lhe associei, mas também porque é a fragrância que eu mais amo nesta vida, que me caracteriza a mim e à minha mãe enquanto mulheres. Que tem o poder de nos valorizar. Pensem nisso. Valorizem-se acima de tudo.

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