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Moda & Style

por Joana Freitas

Moda & Style

por Joana Freitas

As grandes heroínas

Mães, como poderemos descrever tais grandes seres numas míseras linhas? Aliás, como é possível que seres tão delicados e dóceis como elas tenham tomado tão grande atitude de coragem e ousadia que é dar a luz a uma nova vida? Já viram os sacrifícios que elas fizeram só para nos dar à luz? Passaram por dores e enjoos, levaram com o nosso peso durante 9 meses, sofreram com o nosso mal, abdicaram de carreiras e de festas, a ansiedade pela qual passaram só para nos ver... E até para tal elas sofreram horrores. Tudo em prol do seu rebento, só para terem a felicidade de nos ver pela primeira vez, de nos abraçarem, de ouvirem o nosso primeiro choro. Ainda têm a coragem de dizer que, apesar de todas as dores, voltariam a passar pelo mesmo e de igual modo, só para se certificarem que nós aqui estávamos a esta altura. E dizem ainda que pouco lhes interessa as estrias e a flacidez com que eventualmente tenham ficado, que tudo isso não é nada e que nós somos tudo. Como é possível não chorar ao ouvir a nossa mãe a dizer e a declarar tanto amor por nós, como? É impossível não fazê-lo...

 

É verdade que mulheres que dão à luz existem muitas, mas Mães são poucas, pois todas essas são médicas, professoras, enfermeiras, psicólogas, cozinheiras, conselheiras, animadoras, ... Isto tudo dentro das quatro paredes, além das suas profissões que escolheram para se vingarem no mundo profissional. São elas que nos valem nos momentos mais difíceis das nossas vidas, quando pensamos que ninguém nos aceita como somos, que não temos saída, quando estamos com desgostos amorosos, quando algo não vai bem... Elas logo nos tratam de animar, de fazer parvoíces até, tudo isto com o intuito de nos ver sorrir e rir.

 

Acerca da minha mãe, eu não me limito a amá-la só porque ela é minha mãe ou só porque sim, eu amo-a mesmo de verdade, com fundamento e motivos para tal. É o meu maior alicerce em tudo na minha vida: ela anima-me quando algo me corre mal, é ela que me dá mimos (e eu a ela, ehehe) quando eu mais preciso, ela partilha comigo as suas malas, os seus sapatos, os seus lenços, que me apoia sempre em tudo o que é benéfico para mim (incluindo o blog), é ela que me ama como mais ninguém o faz, é ela que me dá conselhos quando preciso, é ela que me ensina o que é a vida... E foi com ela que aprendi a ser o que hoje sou, foi com ela que aprendi a ser persistente, a ser uma mulher de armas como só ela é, a não me deixar vencer pelo passado e a vencer sim em tudo o que quero e almejo. No fundo, eu sou a fotocópia imperfeita deste meu grande anjo. Posso nunca ter demonstrado de forma calorosa o quanto a amo e quanto ela me faz falta, pelo menos até ao ano em que ela me pregou o maior susto da minha vida ao enfrentar um tumor em 2012. Acho que todos os filhos (ou grande parte) dizem que as suas são heroínas porque os tiveram, porque os carregaram 9 meses no seu ventre... E não lhes tiro o mérito, claro, mas eu digo que a minha mãe é igualmente heroína não só por isso, mas também por ter passado tão grande mal.

 

 
Foi em 2011 que lhe foi diagnosticado qualquer coisa fora do comum nos exames normais de rotina, o que a levou a repeti-los para tirar todas as dúvidas. Quando soube do que realmente se tratava, por alturas do Natal desse mesmo ano, parece que o Mundo desabou para mim e para ela. Parece que naquele momento em que se soube o que realmente se passava com ela, tudo à minha volta parou, as luzes apagaram-se de repente. Então diziam que a minha mãe provavelmente iria morrer com esta maldita praga, que as hipóteses de ela conseguir dar a volta eram mínimas? Não vi pingo de esperança e o cenário estava mais negro do que nunca. O que iria ser da minha vida, a vida de uma adolescente de 14 anos, a caminho dos 15, sem a sua mãe? Eu sei que muitos nem sequer têm o privilégio de conhecer a sua, mas... Não podia estar a acontecer aquilo comigo. Ainda tinha tanta coisa para lhe contar, para viver, para partilhar com ela... Lembro-me que fiquei sem falar durante alguns dias e que comia mal e porcamente. O meu rosto ficara abatido, a minha vontade ficara quase nula... Mas ela não iria passar isto sozinha, nem pensar, eu iria estar ali, com ela, e ela iria ultrapassar tudo e todos. Ia mostrar ao Mundo o que é ser uma verdadeira guerreira, dignificar o seu nome e o de Deus. Graças a ele, ela hoje está aqui ao meu lado, neste preciso momento, e a ler este post, cheia de vida, de saúde, renovada e abençoada pelas suas graças. E eu, felizmente, estou aqui igualmente com ela, para a amar para sempre, para tornar a sua vida mais colorida. Irei cumprir com estas promessas até eu ver o seu último andar, ouvir a sua última palavra, ouvir o seu último respirar, ver o seu último olhar. E mesmo depois disso tudo, mesmo até quando eu partir para o Mundo do desconhecido, irei continuar a amá-la, a amar a minha Querida Mãe.
Amar-te-ei eternamente, D. Eugénia. 

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