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Moda & Style

por Joana Freitas

Moda & Style

por Joana Freitas

A solidariedade por conveniência

Estamos a aproximarmo-nos do Natal a passos cada vez mais largos, o que se consegue perpetuar facilmente quando ligamos a nossa televisão e nos deparamos com anúncios e campanhas publicitárias alusivas à quadra, e no meio das publicidades mais tradicionais como os panfletos, e das mais modernas como as propagandas todas XPTO que passam na televisão, nas quais intervêm quase sempre figuras públicas, todos nós deparamo-nos com aquelas que têm o intuito de nos sensibilizar: as que defendem/envolvem causas solidárias. Não censuro nem critico quem isto faz, mas de facto este é um tema que me causa muita intriga na minha cabeça já há muitos anos, ou pelo menos desde que tomei consciência de que existo e de que estou aqui na Terra para cumprir a minha missão e não limitar-me apenas a respirar. Sei que este é um blog de moda e beleza, mas de facto sinto que preciso de partilhar isto com alguém, e já que vos tenho como leitoras e amigas, decidi fazê-lo: Por que motivo é que só ouvimos estas sensibilizações nesta época natalícia e não durante todo o ano, como seria mais lógico? O que estará por detrás disto tudo? Aqui se concentra o busílis da questão, meus caros.

 

Infelizmente, e agora cada vez mais, os dias que se vivem são difíceis para todos, porém, felizmente, ainda existe gente afortunada e que ainda comida e um teto têm, e alguns há que têm meios materiais - diga-se condições monetárias -para estender a mão a quem mais precisa, e fá-lo com todo o gosto, mas - pelo menos é a impressão que tenho - ainda existem muitas empresas que gostam de usar a condição menos favorecida de muitas pessoas e que a tornam numa autêntica publicidade com a finalidade de obterem lucros, pois reparem bem na seguinte analogia:

Quando uma nova marca quer iniciar atividade num determinado país, a mesma trata logo de procurar empresas de marketing para publicitar da melhor forma possível um determinado produto, garantindo assim que o mesmo é inserido com sucesso no mercado e, consequentemente, que a marca ganhe uma boa posição e aceitação no novo mercado explorado. Depois, e com a continuação do tempo, a marca ganha prestígio, confiança e passa a ter clientes fiéis aos seus produtos e/ou serviços. A partir daí, e porque com o avançar dos tempos as marcas têm de efetivamente acompanhar os avanços da sociedade, novas estratégias são definidas para cativar o público fiel e para atrair potenciais consumidores. É aqui que, em muitos casos, e aproveitando as épocas festivas, as empresas decidem lançar-se naquilo que eu chamo de solidariedade ocasional: tratam de apoiar uma causa qualquer, criam impacto e causam boa impressão ao público, fazendo com que eles se dirijam aos seus estabelecimentos/edifícios e que colaborem nessa causa. Até aqui não existe pingo ou margem para lucros, não é verdade? Verdade. Mas não fiquemos ingénuos, nem tão pouco mudos, surdos ou cegos: quem criou a publicidade e as estratégias de marketing sabia muitíssimo bem o que estava a fazer. E quem trata da publicidade das grandes empresas não é nenhum Zé (sem ofensa a quem tem este nome), pelo contrário, na hegemonia empresarial, além de só terem lugar certo as grandes mentes que decidiram arriscar e que se lançaram no mundo dos negócios, quem as publicita também que ser excelente, ou seja, ser uma mente brilhante elevada ao quadrado.

 

Recapitulemos: se até ao momento não havia indícios ou espaços para margens de lucro, pensemos mais um pouco. Está difícil? Então concentrem-se na expressão acima destacada a negrito e devidamente sublinhada. Após um bom momento de reflexão, entende-se que estas causas obrigam a que quem realmente estiver interessado, se desloque ao estabelecimento comercial da dita cuja. Ora esperem aí, eu disse que as pessoas se tinham de deslocar ao estabelecimento comercial? Pois é, parece que muitas potências gostam que as pessoas contribuam para a causa em si, mas será que não gostam mais de chamar os consumidores para comprarem aquilo que não precisam, dando-lhe assim aso a lucros ao final do ano? Pois é, pois é, quem anda nas andanças das comunicações empresariais e na promoção de produtos gosta muito de jogar com a fragilidade de muitos ao que ao consumismo e falta de controle financeiro diz respeito, juntando ainda o facto de se viver uma época tão familiar como o Natal, aproveitando-se assim da parte mais sensível das pessoas que, em muitos casos, infelizmente, só se desperta e só se lhes conhece nesta altura, ou seja, uma vez ao ano.

 

Poderia dar muuuuuuuitos exemplos absurdos que já vi nas press releases que recebi há uns tempos atrás, mas, como o post já vai longo, vou encurtar e concluir a ideia disto tudo: na minha opinião, e enquanto participante no clube de voluntariado do meu agrupamento, creio que a solidariedade deveria ser um tema falado e divulgado durante todo o ano e não apenas no Natal, ou seja, não ser sazonal, ou pelo menos por conveniência, porque quem necessita de ajuda, em muitos casos, não precisa só nesta época, necessita durante um determinado período de tempo até que as coisas se componham, pois nós também não comemos uma só vez, comemos muitas vezes ao dia, o que em muitos casos não se regista. O que quero dizer é que todos podemos fazer algo, ainda que não sejamos milionários, ainda que tenhamos uma condição financeira medíocre, a verdade é que existe quem esteja muito pior do que nós. Portanto, se há algo que podemos fazer, que o façamos sempre que possível e não só em X ou Y ocasião. Não é preciso inscreverem-se em nada (caso queiram, acho que assim o devem de fazer, muitas instituições precisam da ajuda de pessoas que têm vontade de ajudar), basta apenas ajudarem um pobre mendigo que tem fome, não dando dinheiro mas sim pagando-lhe uma refeição, por exemplo.

 

Agora terminando, deixo aqui um pequeno conselho e agradecimento: quem não ajuda, garanto que é maravilhoso ajudar e lutar por uma causa e, por isso, aconselho uma reflexão; quem ajuda mas tem segundos interesses, aconselho que repensem sobre o assunto e que não façam só porque é bonito mas sim porque devem fazer algo enquanto seres humanos, ajudar o próximo; quem é altruísta o suficiente para tomar uma decisão tão nobre de ajudar o próximo, um bem haja.

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